Por Redação Concurso.app · Publicado em

Senado aprova PEC da Segurança Pública em dois turnos; texto vai à promulgação
Proposta amplia atribuições da PF e da PRF, insere o Susp na Constituição e prevê polícias municipais, mas não cria cargos nem autoriza novos concursos automaticamente
O Senado Federal aprovou nesta terça-feira, 3 de novembro, em dois turnos, a PEC nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública. A proposta recebeu 73 votos favoráveis no primeiro turno e 75 no segundo, sem nenhum voto contrário.
O texto amplia a integração entre as forças de segurança e estabelece novas diretrizes para o setor, com impactos sobre a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as polícias municipais. Apesar da ampliação de atribuições, a PEC não cria cargos nem autoriza a abertura de novos concursos públicos de forma automática.
O que muda com a PEC da Segurança Pública
A proposta altera a organização das forças de segurança em diferentes frentes. Entre os principais pontos aprovados pelo Senado estão:
- Sistema Único de Segurança Pública (Susp): inclusão do sistema na Constituição Federal, ampliando a integração entre os órgãos de segurança;
- Polícia Federal (PF): ampliação das competências investigativas em crimes praticados por organizações criminosas e milícias de repercussão interestadual ou internacional, além de crimes ambientais;
- Polícia Rodoviária Federal (PRF): ampliação da atuação para o policiamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais, além do apoio a outras forças de segurança;
- Polícias municipais: possibilidade de criação de corporações civis para policiamento ostensivo e comunitário, observados os critérios previstos na proposta;
- Polícias penais: instituição do Sistema de Políticas Penais, com novas diretrizes para a atuação das polícias penais;
- Combate ao crime organizado: regras mais rigorosas para integrantes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares, incluindo restrições à progressão de regime e a determinados benefícios processuais;
- Confisco de bens: possibilidade de perda de bens relacionados às atividades criminosas;
- Proteção às vítimas e denunciantes: previsão de assistência, informação e acesso à Justiça para vítimas, além de mecanismos de proteção a denunciantes e seus familiares;
- Financiamento da segurança pública: proteção dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) e do Fundo para o Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol) contra bloqueios e desvios de finalidade, ressalvadas as exceções previstas no texto.
Financiamento e destinação de recursos
O texto mantém a destinação de 10% do superávit do Fundo Social do Pré-Sal ao setor de segurança pública. Durante a tramitação no Senado, foi retirada a previsão que destinava parte da arrecadação das apostas esportivas (bets) aos fundos de segurança pública e penitenciário.
A proposta também busca proteger os recursos dos fundos de segurança contra bloqueios e desvios de finalidade, com exceções previstas no próprio texto constitucional.
Impacto nos concursos policiais
A aprovação da PEC não significa, por si só, a abertura de novos concursos para a PF ou a PRF. O texto não cria cargos nem autoriza a realização de certames de forma automática.
Eventuais mudanças nos efetivos das corporações dependerão de medidas administrativas, legislativas e orçamentárias próprias. Ou seja, a ampliação de atribuições prevista na PEC precisará ser acompanhada de decisões específicas sobre pessoal e verba para se traduzir em novas vagas.
Redução da maioridade penal fica de fora
As propostas apresentadas pelo PL e pelo PT para reduzir a maioridade penal não foram incorporadas à PEC. O Senado aprovou o desmembramento das emendas, que passarão a tramitar como propostas autônomas.
Recriação do Ministério da Segurança Pública
O governo federal pretende recriar o Ministério da Segurança Pública para fortalecer a coordenação das políticas nacionais do setor. A iniciativa, entretanto, dependerá de medida própria do Executivo e não representa uma criação automática pela PEC.
Próximos passos
Após a aprovação em dois turnos pelo Senado, a PEC segue para promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Não há necessidade de nova votação na Câmara nem de sanção presidencial.
Com a promulgação, as novas regras passam a integrar a Constituição Federal. Candidatos interessados em carreiras policiais devem acompanhar as medidas administrativas e orçamentárias que podem, futuramente, refletir na estrutura e nos efetivos das corporações.
Perguntas frequentes
A PEC da Segurança Pública autoriza novos concursos para PF e PRF?
Não. A PEC não cria cargos nem autoriza a realização de novos concursos públicos. Eventuais mudanças nos efetivos dependem de medidas administrativas, legislativas e orçamentárias próprias.
Quais corporações têm atribuições ampliadas pela PEC?
A Polícia Federal passa a ter competências ampliadas na investigação de organizações criminosas, milícias e crimes ambientais. A Polícia Rodoviária Federal amplia a atuação para ferrovias e hidrovias federais. A proposta também prevê a possibilidade de criação de polícias municipais civis.
A redução da maioridade penal foi incluída na PEC?
Não. As propostas do PL e do PT sobre maioridade penal não foram incorporadas. O Senado aprovou o desmembramento das emendas, que tramitarão como propostas autônomas.
Quais são os próximos passos após a aprovação no Senado?
A PEC segue para promulgação pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, sem necessidade de nova votação na Câmara ou de sanção presidencial.
A destinação de recursos das apostas esportivas foi mantida?
Não. A previsão de destinar parte da arrecadação das bets aos fundos de segurança pública e penitenciário foi retirada durante a tramitação no Senado. Foi mantida a destinação de 10% do superávit do Fundo Social do Pré-Sal ao setor.
Fonte
Fonte: concursos.estrategia.com