Por Redação Concurso.app · Publicado em

Quilombola e indígenas tomam posse como diplomatas pela primeira vez na história do Brasil
Helen Borgens, Marcelo Menezes e Idjahure Terena concluíram o Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco e assumiram o cargo no Itamaraty em cerimônia realizada em Brasília
O Ministério das Relações Exteriores passou a contar, pela primeira vez em sua história, com diplomatas oriundos de povos quilombolas e indígenas. A quilombola Helen Jaine Gomes Borgens e os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Achkar Terena, do povo Terena, foram aprovados no Curso de Formação de Diplomatas (CFD) do Instituto Rio Branco (IRBr) e tomaram posse em cerimônia realizada nesta quarta-feira, no Palácio Itamaraty, em Brasília.
Os três integram a turma 2026-2028, formada por 60 novos diplomatas. Segundo o Ministério, o grupo se destacou pela diversidade e reúne representantes de todas as cinco regiões do Brasil.
Quem são os novos diplomatas
Natural de Goiás, Helen Borgens nasceu na comunidade quilombola do Retiro, que integra a Associação de Comunidades Quilombolas Castelo, Retiro e Três Rios. Ela estudou no Colégio Estadual Elvira Leão Barreto, no município de Simolândia (GO), e se formou em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
Após concluir a graduação, Helen retornou à comunidade para se dedicar aos estudos para o concurso. Em depoimento à UFG, ela contou que foi incentivada por um professor durante a preparação para o vestibular, em 2017, e que morar no interior dificultou o acesso a materiais especializados para a prova, o que a levou a estudar por conta própria. Nas redes sociais, celebrou a posse com um versículo bíblico e a legenda "Grande dia".
Marcelo Menezes é natural de Campina Grande (PB) e graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Ele também possui MBA em Digital Business pela Universidade de São Paulo (USP/Esalq) e atuou entre 2021 e 2025 como engenheiro de suporte a produtos. Menezes é ainda autor de um livro infanto-juvenil.
Já Idjahure Terena, natural do Rio de Janeiro (RJ), é doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também é bacharel e licenciado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e filho do primeiro ator indígena do cinema brasileiro, o artista Macsuara Kadiwéu.
Diversidade marca a nova turma
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a turma 2026-2028 registrou a maior participação feminina da história do curso, além de contar com 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, duas indígenas e uma quilombola.
O resultado representa avanço na promoção da diversidade no corpo diplomático brasileiro e dá continuidade à trajetória pioneira do Instituto Rio Branco na implementação de ações afirmativas, por meio da concessão de bolsas de preparação ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e do mecanismo de convocação adicional de candidatas mulheres entre a primeira e a segunda fase do CACD.
— Ministério das Relações Exteriores
O caminho até a carreira diplomática
O ingresso na carreira diplomática ocorre por meio do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), oferecido pelo Instituto Rio Branco, órgão vinculado ao Ministério das Relações Exteriores e responsável por um dos certames mais concorridos do país.
Após a aprovação no concurso, o candidato precisa concluir o Curso de Formação de Diplomatas no Instituto, com duração de três a quatro semestres. Ao final da formação, o aprovado ocupa o cargo de terceiro-secretário na carreira diplomática.
Representatividade no Itamaraty
Durante a cerimônia de posse, Idjahure Terena destacou o significado histórico de ocupar um espaço tradicionalmente marcado pela exclusão de povos originários.
Estar no Itamaraty é ter consciência de toda essa história pretérita de exclusão e tutela, batalhando por um futuro ancestral e por um novo presente onde a nossa diversidade étnica finalmente integre o Estado.
— Idjahure Achkar Terena, novo diplomata
Marcelo Menezes também relatou que, em sua família, havia uma tradição que afastava as pessoas dos estudos, sob a ideia de que "enlouqueceriam se estudassem e deveriam ficar apenas nos trabalhos braçais". Segundo ele, sua mãe enxergou na educação "uma porta para a vida" e o incentivou a seguir estudando.
A posse dos três novos diplomatas encerra um ciclo de formação iniciado com a aprovação no CACD e reforça a discussão sobre ações afirmativas no serviço público. O Ministério afirma que o resultado representa um avanço na promoção da diversidade no corpo diplomático brasileiro.
Perguntas frequentes
Quem são os primeiros diplomatas quilombola e indígenas do Brasil?
A quilombola Helen Jaine Gomes Borgens e os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Achkar Terena, do povo Terena. Eles concluíram o Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco e tomaram posse no Itamaraty em cerimônia realizada em Brasília.
Como se tornar diplomata no Brasil?
É necessário ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), oferecido pelo Instituto Rio Branco, e depois concluir o Curso de Formação de Diplomatas, que dura de três a quatro semestres. Ao final, o aprovado ocupa o cargo de terceiro-secretário.
Quantos diplomatas formaram a turma 2026-2028?
A turma é composta por 60 diplomatas e se destacou pela diversidade, com a maior participação feminina da história, 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, duas indígenas e uma quilombola, além de representantes de todas as cinco regiões do Brasil.
O que é o Instituto Rio Branco?
É o órgão do Ministério das Relações Exteriores responsável pela formação de diplomatas e pela realização do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). O Instituto também desenvolve ações afirmativas, como bolsas de preparação para o concurso e a convocação adicional de candidatas mulheres entre a primeira e a segunda fase do certame.
Fonte
Fonte: oglobo.globo.com