Por Redação Concurso.app · Publicado em

Professores aprovados em concurso da Reme cobram convocação na Câmara de Campo Grande

Professores aprovados em concurso da Reme cobram convocação na Câmara de Campo Grande

Mais de 70 docentes foram ao plenário exigir a nomeação dos efetivos do concurso de 2024, que teve 323 vagas imediatas e validade prorrogada até abril de 2028

Mais de 70 professores aprovados no concurso da Rede Municipal de Ensino (Reme) de Campo Grande se reuniram no plenário da Câmara Municipal nesta terça-feira (3) para pressionar pela convocação dos servidores efetivos. A categoria argumenta que há postos de trabalho ocupados por profissionais contratados que poderiam ser preenchidos por quem passou no certame.

O concurso foi realizado em 2024, com oferta inicial de 323 vagas para início imediato e formação de cadastro de reserva. Segundo a reportagem, houve mais de 20 mil inscritos e pouco mais de 3 mil aprovados, que agora aguardam a nomeação.

Reivindicação por estabilidade e efetivação

Entre os presentes estava o professor de educação física João Ricardo Corrêa de Souza, que relatou a insatisfação de trabalhar como contratado mesmo tendo sido aprovado no concurso. Para ele, a convocação representa a garantia de estabilidade financeira e profissional, condição que considera essencial para oferecer uma educação de qualidade nas escolas.

É ruim, né, você trabalhar como contratado sabendo que tem a vaga e você não é chamado para o concurso, e a gente está lutando para isso, para a gente ter a nossa estabilidade financeira, ter a estabilidade no trabalho e a gente poder trabalhar tranquilo para dar uma educação de qualidade nas escolas.

— João Ricardo Corrêa de Souza, professor de educação física

A professora Luciana Clara de Godoy lembrou que a espera não é recente. Segundo ela, já houve aprovações em processos anteriores, desde 2016, sem que os docentes tenham sido chamados, situação que se repetiu com os aprovados em 2024.

Validade do concurso foi prorrogada até 2028

Originalmente, o concurso tinha validade de dois anos, com prazo até abril de 2026. A pedido da Comissão de Educação da Câmara, a vigência foi estendida por mais dois anos, passando a valer até abril de 2028. Apesar da prorrogação, os aprovados temem que o período termine sem que todos sejam convocados.

O presidente da Comissão de Educação, vereador Professor Juari (PSDB), afirmou que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que atualmente 90% dos professores de Campo Grande são efetivos. A categoria, no entanto, defende que esse índice chegue a 100%, com a convocação de todos os aprovados dentro do limite de vagas.

Impacto orçamentário e uso de contratados

De acordo com a Câmara, a Semed é uma das pastas de maior peso na folha de pagamento da prefeitura, e a nomeação dos aprovados ampliaria esse impacto no orçamento municipal. O presidente da Casa de Leis, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), classificou a convocação como um compromisso político da gestão, que enfrenta, segundo ele, uma situação orçamentária e financeira difícil.

É um compromisso político da gestão, que agora se vê numa situação orçamentária e financeira muito difícil e aí está segurando essas convocações, porque, quando você convoca concursados, você faz uma linha de despesa para o futuro, inclusive lá IMPCG depois que se aposentar. Então, você trazer novos concursados demanda um estudo orçamentário bem profundo.

— Epaminondas Neto (Papy), presidente da Câmara Municipal

A prefeitura sustenta que já convocou 1.083 professores do concurso, número superior às 323 vagas abertas inicialmente. O município afirma que pretende continuar substituindo os contratados conforme a capacidade orçamentária, mas ressalta que não pode abrir mão dos temporários para cobrir licenças e afastamentos.

A gente tem que pensar assim: eu tenho um professor concursado, aí esse professor pode faltar, ele pode ter um atestado médico, ele pode estar em uma outra função que não é em sala de aula. Aí o que acontece? Se eu não tenho uma conta, um processo seletivo em andamento, vai haver uma vacância em determinada sala de aula, então eu chamo um contratado. Porque, na verdade, se eu não fizer isso, eu vou estar deixando de atender a população no geral. Então pode ser que tenha casos, e a gente tem um grande número de professores que são afastados por conta de atestados médicos, por conta de problemas de saúde, e isso é um contingente enorme, então assim, eu preciso ter professores que estejam realizando o serviço.

— Ulisses Rocha, secretário municipal de Governo

Símbolo da mobilização

Durante a sessão, os professores acompanharam os trabalhos no plenário e usaram giz branco como símbolo da educação pública. A mobilização reforça a cobrança para que a prefeitura estabeleça um cronograma de convocações antes do fim da validade do concurso, em abril de 2028.

A situação segue em aberto: de um lado, os aprovados pedem a efetivação de todos os classificados; de outro, o município alega limitações orçamentárias e a necessidade de manter contratos temporários para garantir o funcionamento das escolas. O impasse deve continuar sendo acompanhado pela Comissão de Educação da Câmara.

Perguntas frequentes

Quantas vagas ofereceu o concurso da Reme de 2024?

O edital ofertou inicialmente 323 vagas para início imediato, além da formação de cadastro de reserva. Houve mais de 20 mil inscritos e pouco mais de 3 mil aprovados.

Até quando vale o concurso da Reme de 2024?

A validade original era de dois anos, até abril de 2026, mas foi prorrogada por mais dois anos a pedido da Comissão de Educação da Câmara, passando a valer até abril de 2028.

Quantos professores já foram convocados pela prefeitura?

Segundo a prefeitura, já foram convocados 1.083 professores do concurso, número superior às 323 vagas abertas inicialmente.

Por que a prefeitura mantém professores contratados?

O município afirma que não pode abrir mão dos temporários para cobrir licenças e afastamentos, como atestados médicos, garantindo que não haja vacância em sala de aula.

Qual é a proporção de professores efetivos na rede municipal?

Conforme informado pela Semed ao vereador Professor Juari, hoje 90% dos professores de Campo Grande são efetivos. A categoria pede que esse índice chegue a 100%.

Fonte

Fonte: primeirapagina.com.br