Por Redação Concurso.app · Publicado em

Candidatos do concurso do magistério do RS denunciam eliminações em exames médicos
Deputada Sofia Cavedon e professores aprovados relatam reprovações por suposta inaptidão em avaliações do Edital nº 1/2025; mais de 300 pessoas teriam sido consideradas inaptas
Professores aprovados no concurso público do magistério estadual do Rio Grande do Sul, regido pelo Edital nº 1/2025, denunciaram eliminações por suposta inaptidão em exames médicos. A denúncia foi apresentada nesta terça-feira (03/10), durante reunião ordinária da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa.
Segundo estimativa dos representantes dos candidatos, mais de 300 pessoas teriam sido consideradas inaptas por motivos que eles contestam. O tema foi levado à comissão pela deputada Sofia Cavedon, que relatou ter recebido denúncias de reprovações com justificativas genéricas.
Justificativas genéricas e falta de transparência
De acordo com a parlamentar, as reprovações estariam relacionadas a exames de glicemia, condições visuais e alterações ortopédicas. Sofia informou que encaminhou ofício ao governo estadual e aguardava resposta até o momento da reunião.
O governo do Estado havia se comprometido a nomear todos e todas que estudaram, se dedicaram e passaram. Agora, recebemos diferentes denúncias de candidatos e candidatas sendo reprovados em exames médicos de forma indiscriminada.
— Sofia Cavedon, deputada estadual
Professora em exercício é considerada inapta
Entre os relatos está o da professora Luciana Klein, que já integra a rede estadual. Aprovada no concurso de 2023 e em exercício desde 2024, ela trabalha 40 horas semanais — 20 como concursada e outras 20 por convocação.
Após ser aprovada no novo concurso, Luciana foi considerada inapta por alteração ortopédica, depois de uma fratura no pé e de uma cirurgia realizada em junho. Ela questionou a decisão, já que segue exercendo a mesma profissão para a qual foi aprovada.
Eu fui a pé fazer o concurso, subi escadas, sem muletas, e ali aparece como se eu fosse inapta porque teria uma alteração ortopédica. Sendo que estou trabalhando, exercendo a mesma profissão para a qual fui aprovada.
— Luciana Klein, professora
Organização das avaliações é questionada
Luciana também criticou a organização das avaliações, com agendamentos em dias diferentes para candidatos que viajaram mais de oito horas até Porto Alegre. Segundo ela, os exames psicológicos reuniram 80 pessoas em uma sala, número que afirmou contrariar a orientação do Conselho de Psicologia para esse tipo de exame.
Outro relato foi o do professor de Educação Física Herbert Matheus Gomes, reprovado por alteração no exame de creatinina. Ele cobrou transparência nos critérios adotados e disse não ter entendido o resultado.
Quando chegou o 'inapto', eu não entendi. Eu trabalho com natação atualmente, vim para assumir o concurso e tomei esse baque.
— Herbert Matheus Gomes, professor de Educação Física
Herbert também denunciou o caso de uma pessoa que concorreu pela cota destinada a pessoas com deficiência auditiva e, segundo seu relato, foi considerada inapta por surdez.
Deputada cita caso da mãe e defende revisão
Ao defender o acolhimento dos candidatos e a revisão das situações apresentadas, Sofia contou que sua mãe enfrentou uma barreira semelhante na década de 1960. Formada no magistério em Bento Gonçalves, ela veio a Porto Alegre para o exame médico e foi inicialmente considerada inapta por não ter a mão direita, perdida em um acidente laboral. A intervenção da mãe de uma colega ajudou a reverter a situação.
Minha mãe teve 40 anos de magistério, sustentou a família dando aula e é uma grande referência para mim. Reaprendeu a escrever com a mão esquerda e tem uma letra linda. Lutem, porque é impossível aceitar que diferenças de saúde que são resolvíveis sejam impeditivo para assumir o magistério.
— Sofia Cavedon, deputada estadual
Críticas à terceirização e risco de judicialização
O deputado Halley Lino criticou a condução terceirizada das avaliações e os impactos das eliminações na vida profissional, financeira e emocional dos candidatos. Ele também alertou que os casos podem acabar no Judiciário.
Encaminhamentos e cobrança de prazos
Como encaminhamento, Sofia propôs uma reunião com a Secretaria de Gestão e Planejamento, acompanhada por uma comissão de candidatos, para cobrar esclarecimentos e providências sobre os recursos, com atenção aos prazos.
Queremos, em primeiro lugar, acolher vocês. É um constrangimento, uma violência que atinge a autoestima, a vida financeira e emocional. Vamos cobrar providências para garantir os prazos de recursos.
— Sofia Cavedon, deputada estadual
A reunião da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul segue acompanhando o caso, que envolve candidatos aprovados no concurso do magistério estadual regido pelo Edital nº 1/2025 e que agora aguardam resposta do governo estadual sobre os critérios e os recursos das avaliações médicas.
Perguntas frequentes
O que está sendo denunciado no concurso do magistério do RS?
Professores aprovados no concurso regido pelo Edital nº 1/2025 denunciam eliminações por suposta inaptidão em exames médicos, com justificativas consideradas genéricas. Segundo representantes dos candidatos, mais de 300 pessoas teriam sido consideradas inaptas.
Quais motivos levaram às reprovações nos exames médicos?
Conforme relatado na Assembleia Legislativa, as reprovações estariam relacionadas a exames de glicemia, condições visuais e alterações ortopédicas, entre outros motivos contestados pelos candidatos.
O que a deputada Sofia Cavedon propôs para resolver o caso?
Sofia Cavedon propôs uma reunião com a Secretaria de Gestão e Planejamento, acompanhada por uma comissão de candidatos, para cobrar esclarecimentos e providências sobre os recursos, com atenção aos prazos. Ela também encaminhou ofício ao governo estadual.
Os candidatos considerados inaptos podem recorrer?
A deputada afirmou que vai cobrar providências para garantir os prazos de recursos. O governo estadual ainda não havia respondido ao ofício até o momento da reunião.
Fonte
Fonte: ptassembleiars.org.br