Por Redação Concurso.app · Publicado em

Roraimense supera quatro reprovações e toma posse como diplomata no Itamaraty

Roraimense supera quatro reprovações e toma posse como diplomata no Itamaraty

Nínive, nascida em Boa Vista, assume o cargo de terceira-secretária com salário inicial de R$ 22.558,56 após trajetória marcada por persistência e recomeços

A roraimense Nínive tomou posse como diplomata no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e assume o cargo de terceira-secretária, posição que marca o início da carreira diplomática. A remuneração inicial é de R$ 22.558,56.

A aprovação só veio depois de quatro reprovações, uma perda pessoal e até uma promessa feita ao Flamengo. A confirmação foi publicada no dia 24 de junho, e a notícia foi recebida com surpresa e emoção pela nova diplomata.

O que faz um diplomata

Diplomatas são servidores públicos que integram o Ministério das Relações Exteriores. Entre as atribuições da carreira estão representar o Brasil em reuniões internacionais, negociar acordos com outras nações e prestar assistência aos brasileiros que estão no exterior.

Requisitos para ingressar na carreira

Para disputar uma vaga no concurso do Itamaraty não é exigida uma formação específica. É necessário, porém, possuir algum diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

  • Não há exigência de graduação específica
  • É preciso ter diploma de curso superior reconhecido pelo MEC
  • Nínive cursou Relações Internacionais na Universidade Federal de Uberlândia (UFU)

Uma decisão que nasceu na infância

A escolha pela carreira diplomática surgiu cedo. Aos 12 anos, Nínive fez um mapa astral na internet que apontou uma "personalidade diplomática". Curiosa, passou a pesquisar sobre a profissão e decidiu que aquela seria a carreira que seguiria.

Preparação e recomeços

Depois de concluir Relações Internacionais em 2021, Nínive se mudou para Brasília e começou a se preparar para a carreira diplomática. Ela tentou o concurso em 2022, 2023, 2024 e 2025. Em maio de 2023, passou a se dedicar exclusivamente aos estudos, com apoio financeiro do pai.

A preparação foi interrompida pela morte da melhor amiga e de uma tia que ela considerava como irmã mais velha. Após meses afastada, retomou os estudos e, em 2025, buscou equilibrar a preparação com a saúde física e mental.

Ela chegou à segunda fase pela primeira vez em 2024, mas não conseguiu a aprovação no ano seguinte, quando teve dificuldades na prova de espanhol. Após avançar novamente para a segunda fase em 2026, intensificou a preparação e passou a estudar oito horas por dia nas duas semanas anteriores às provas.

Nas primeiras vezes achei justo não passar, eu não tinha um bom nível ainda. Só fiquei muito decepcionada em 2025, pois tinha estudado bem e estava mais confiante. Depois de algumas semanas de descanso, peguei meu sentimento negativo e usei para estudar.

— Nínive, diplomata empossada

A emoção da confirmação

Nínive conta que estava cautelosa para não criar expectativas até ver a lista definitiva dos aprovados. A confirmação veio acompanhada de uma mistura de surpresa e emoção.

Vi que minha nota tinha subido, mas não queria criar muitas expectativas, sabe? Quando enviaram a planilha [dos aprovados] pude gritar sozinha no elevador. No apartamento chorei, pulei, explodi um tubo de confete (ganhei para estourar quando passasse) e liguei pros meus familiares, depois comemorei com amigos.

— Nínive, diplomata empossada

Da escola em Boa Vista à carreira diplomática

Nascida e criada em Roraima, Nínive estudou os primeiros anos na Escola Estadual São José, em Boa Vista, e depois passou pela rede privada. Ela lembra com carinho de uma professora que a ensinou a escrever resumos e a ajudou a conquistar um dos três primeiros lugares em uma competição escolar.

Após concluir o ensino médio, foi aprovada em primeiro lugar em Relações Internacionais na UFRR, mas escolheu cursar a graduação na Universidade Federal de Uberlândia, para morar longe da família e ganhar independência. Aos 17 anos, mudou-se para Minas Gerais e, depois de formada, seguiu para Brasília.

Persistência como método

Nínive destaca que não existe uma fórmula única para a aprovação, mas considera a persistência fundamental. Durante a trajetória, também buscou acompanhamento psicológico para lidar com as frustrações e a pressão dos estudos.

A história da roraimense ilustra como a preparação para a carreira diplomática pode exigir anos de dedicação e recomeços. Agora empossada como terceira-secretária, ela inicia a trajetória no serviço exterior brasileiro com salário inicial de R$ 22.558,56.

Perguntas frequentes

Qual é o salário inicial de um diplomata no Itamaraty?

O salário inicial do cargo de terceiro-secretário, que marca o início da carreira diplomática, é de R$ 22.558,56.

É preciso ter formação específica para ser diplomata?

Não. O concurso não exige uma formação específica, mas é necessário ter algum diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC).

Quais são as funções de um diplomata?

Entre as atribuições estão representar o Brasil em reuniões internacionais, negociar acordos com outras nações e prestar assistência aos brasileiros no exterior.

Quantas vezes Nínive tentou o concurso antes de ser aprovada?

Ela tentou o concurso em 2022, 2023, 2024 e 2025, tendo sido aprovada na tentativa seguinte, com a confirmação publicada em 24 de junho.

Fonte

Fonte: g1.globo.com