Por Redação Concurso.app · Publicado em

Aprovada em concurso no RS é considerada inapta por 'incompatibilidade geográfica' e briga na Justiça pela posse
Candidata passou em concurso do IFRS, mas laudo médico apontou riscos à saúde com a mudança de domicílio; caso tramita no TRF-4 e no STF
Uma candidata aprovada em concurso público no Rio Grande do Sul teve sua posse barrada após ser considerada inapta em inspeção médica. O motivo alegado foi uma suposta 'incompatibilidade geográfica' — a distância entre a cidade onde reside e o local de trabalho. O caso, que envolve o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), segue em disputa judicial no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
A candidata, identificada como Manoella, foi aprovada para o cargo de professora, mas não conseguiu tomar posse. A situação levanta discussões sobre os limites da avaliação médica em concursos públicos e o direito de acesso ao serviço público de pessoas com condições crônicas de saúde.
Entenda o caso
Manoella foi aprovada em concurso do IFRS e passou por inspeção médica para a posse no cargo efetivo. No entanto, segundo o processo, a condição de saúde mencionada somente teria sido identificada durante o período em que ela atuava como professora substituta. A situação apresentada durante o vínculo temporário seria distinta daquela posteriormente validada no procedimento de inspeção médica para a posse.
A defesa da candidata, representada pela advogada Thamyres Luz, entrou com ação na Justiça Federal pedindo uma liminar para suspender os efeitos do laudo, garantir sua nomeação e posse imediata ou, ao menos, assegurar a reserva da vaga até o julgamento definitivo do caso.
Decisão em primeira instância e recurso ao TRF-4
No dia 28 de agosto deste ano, o Juízo de 1º grau proferiu julgamento antecipado de improcedência sem abrir a perícia judicial. No mesmo dia, o IFRS formalizou a abertura de uma vaga de professor de administração geral em Rolante, município próximo à residência de Manoella, que mora em Novo Hamburgo.
A defesa solicitou o bloqueio cautelar do cargo, argumentando que a vaga deveria ser destinada a ela. Entretanto, o TRF-4 negou tanto o pedido de nomeação imediata quanto o pedido alternativo de reserva de vaga. O magistrado ressaltou que, embora os documentos comprovem a capacidade técnica da autora para lecionar, relatórios apresentados pela própria equipe médica de Manoella apontam riscos de saúde relacionados à mudança de domicílio.
Nova chamada para a vaga e recurso ao STF
No final de setembro, outra pessoa foi chamada para uma vaga PcD de professor em Rolante. Manoella afirmou que a vaga foi destinada a uma pessoa por uma decisão judicial anterior. A advogada informou que o processo estava sendo remetido ao TRF-4, onde o pedido de tutela de urgência para resguardar a vaga de Manoella seria reiterado.
Em recurso enviado ao STF, a defesa alega que a decisão viola princípios constitucionais e precedentes da corte sobre a inclusão e o acesso de pessoas com deficiência ou condições crônicas de saúde ao serviço público. O caso segue tramitando nas duas instâncias.
O que está em jogo
O caso coloca em evidência o debate sobre a avaliação de aptidão física e mental em concursos públicos. De um lado, a administração pública defende a necessidade de garantir que o candidato tenha condições de exercer o cargo sem riscos à sua saúde ou ao serviço. De outro, a defesa argumenta que a decisão fere o direito de acesso ao cargo e a inclusão de pessoas com condições crônicas.
A situação também levanta questionamentos sobre a chamada 'incompatibilidade geográfica' — quando a distância entre a residência do candidato e o local de trabalho é usada como justificativa para a inaptidão. Não há previsão legal específica para esse tipo de impedimento, o que torna o caso ainda mais controverso.
Próximos passos
A defesa de Manoella aguarda uma decisão do TRF-4 sobre o pedido de tutela de urgência para reservar a vaga. Enquanto isso, o recurso no STF também segue em análise. A candidata espera reverter a decisão e garantir sua nomeação e posse no cargo efetivo.
O caso continua em tramitação e não há prazo definido para julgamento. A reportagem não localizou manifestação oficial do IFRS ou do TRF-4 sobre o mérito da questão até a publicação desta matéria.
Perguntas frequentes
O que é 'incompatibilidade geográfica' em concurso público?
É um termo usado para indicar que a distância entre a residência do candidato e o local de trabalho pode representar risco à saúde ou impedir o exercício do cargo. Não há previsão legal específica, e a avaliação costuma ser feita caso a caso pela junta médica.
Qual é o cargo e o órgão envolvidos no caso?
O caso envolve o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) e o cargo de professor de administração geral no município de Rolante.
Em quais instâncias o processo está tramitando?
O processo tramita no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
O que a defesa da candidata pede na Justiça?
A defesa pede a suspensão dos efeitos do laudo médico, a nomeação e posse imediata ou, alternativamente, a reserva da vaga até o julgamento definitivo do caso.
Fonte
Fonte: noticias.uol.com.br