Questão 133
1 ____ Ninguém sabia, nem pretendia saber, por que ou comoLanebbia e seus associados se interessavam por um bando demaníacos como nós, gente estranha, supostamente inteligente,4 que passava horas lendo ou discutindo inutilidades. Gente,dizia-se, que brilharia no corpo docente de qualqueruniversidade; especialistas que qualquer editora contrataria por7 somas astronômicas (certos astros não são muito grandes). Eraum enigma também para nós; mas, lamentações à parte,sabíamos de nossa incompetência, também astronômica (alguns10 astros são bastante grandes), para lidar com contratos, chefes,prazos e, sobretudo, reivindicações salariais. Tínhamos, alémdisso, algumas doenças comuns a todo o grupo, ou quase todo:13 a bibliomania mais crônica que se possa imaginar, uma paixãoneurótico-deliquencial por textos antigos, que nos levavafrequentemente a visitas subservientes a párocos, conventos,16 igrejas e colégios. Procurávamos criar relacionamentos quefacilitassem o acesso a qualquer velharia escrita. Que poderiaestar esperando por nós, por que não?, desde séculos, ou19 décadas. Conhecíamos armários, sótãos, porões e cofres desacristias, bibliotecas, batistérios ou cenáculos, bem melhor doque seus proprietários ou curadores. Tínhamos achado22 preciosidades que muitos colecionadores cobiçariam.Descobrir esses esconderijos era uma espécie de hobby nossonos fins de semana, quando saíamos atrás de boa comida, bons25 vinhos e velhos escritos.Isaias Pessotti. Aqueles cães malditos de Arquelau.Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993, p. 11 (com adaptações).Julgue os itens a seguir, relativos às estruturas linguísticas e às ideias do texto acima. De acordo com a narrativa, os “proprietários” (l.21) e “curadores” (l.21) desconheciam a existência de livros que haviam sido escondidos em locais antigos.
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