Pressupostos e subentendidosVunespProva: A-C-CAMARGO-CANCER-CENTER-SP 2021 · residencia em psicologia area oncologia
Leia o texto, para responder às questões de números 04 a 10. Vivendo com a tragédia “Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística”. A frase, ou uma de suas variantes, é normalmente atribuída a Stálin, mas não há registro confiável de que ele tenha dito algo parecido. Qualquer que seja o autor da máxima, ela revela de forma criativa uma das mais fascinantes características da psique humana, a habituação. Tecnicamente, a habituação pode ser definida como uma forma de aprendizado e é caracterizada pela diminuição da intensidade com que respondemos a um estímulo à medida que a exposição se repete ou se prolonga. No plano valorativo, a habituação é ao mesmo tempo uma bênção e algo maléfico. O lado positivo é bem evidente: é a habituação que permite que nos ajustemos a mudanças e sigamos em frente. Se entramos num ambiente em que há um cheiro muito penetrante ou um barulho muito alto, nós inicialmente nos incomodamos. Mas, à medida que a exposição continua e não desencadeia nenhuma emergência, nossa resposta a esses estímulos vai se tornando paulatinamente mais fraca. A ideia é que, se não há nenhuma ameaça, devemos liberar recursos mentais para nos ocupar com outras coisas. É por isso que ela entra na categoria aprendizado. Obviamente, a habituação opera não só sobre estímulos sensoriais básicos, como cheiros e ruídos, mas também sobre situações mais complexas. O lado menos brilhante da habituação é que ela normaliza aquilo que, no plano moral, não deveria ser normalizado. É o que está acontecendo agora no Brasil com a epidemia de Covid-19. Estamos há tanto tempo lendo sobre o aumento de mortes e vendo imagens dos congestionamentos de caixões que a situação por que estamos passando já não desencadeia em nós a reação adequada, que seria a de exigir dos governantes medidas mais efetivas para minorar a crise. (Hélio Schwartsman. Folha de S.Paulo, 19.05.2021. Adaptado) A relação de oposição que se estabelece no período — “Uma única morte é uma tragédia; um milhão de mortes é uma estatística”. — permanece preservada com o acréscimo da expressão destacada em: