Texto para as questões de 1 a 9. 1 "Tenho apenas uma hora livre por semanapara estudar. Não tenho tempo para ler materiaisacadêmicos. Não sei enviar um e-mail e tenho4 dificuldades básicas com a norma culta da línguaportuguesa." Temos a oportunidade perfeita e que encaixa7 no seu perfil. Oferecemos uma graduaçãointeiramente on-line em direito, sem necessidade deprova para ingressar e por apenas 200 reais por mês.10 Embora fictício, o diálogo acima revela umatendência real e preocupante no ensino superiorbrasileiro: a banalização da formação, guiada por uma13 parte da indústria privada de ensino superior que setornou fábrica de diplomas, em nome da inclusãoaparente.16 Tudo que envolve o oferecimento de umdiploma universitário é positivo? Não. Acredito que a inclusão passa por políticas de19 cotas e reserva de vagas, para que o acesso de gruposminoritários seja possível; por políticas depermanência, como auxílio-transporte, moradia e22 programas de bolsa; e também, por exemplo, pelooferecimento de cursos de reforço, como matemáticabásica, gramática e até mesmo tecnologias digitais,25 dado que há discentes, já vi, que não sabem mandarum e-mail. Por outro lado, indo pelo extremo oposto, não28 passa por oferecer um diploma de médico paraalguém que nunca assistiu a uma aula, pois fez umagraduação remota, e que não sabe fazer uma simples31 regra de três; tampouco passa por oferecer umaformação sem a mínima infraestrutura, dado que apreocupação é unicamente com a escala e,34 consequentemente, com o lucro. Perdoem-me a franqueza, mas não acho queestamos diante de um cenário em que essas37 instituições estão com boas intenções, mas apenaserrando o tom. A verdade é que estamos diante deuma estratégia deliberada, que maquia a falta de40 responsabilidade e ética de inclusão edemocratização. Primeiramente, precisamos pensar no grande43 público-alvo dessa indústria de diplomas. São pessoasde baixa renda, boa parte já inserida no mercado detrabalho e com baixa remuneração, com pouca46 proximidade com o ensino superior e grandes déficitsna educação básica, como leitura e raciocínio lógico. De modo geral, "presas fáceis". Indivíduos que49 sonham em ter alguma mobilidade social e a vida,minimamente, mais confortável. A associação entreesse progresso e o ensino superior os motiva, mas a52 verdade é que a maioria nem sabe que háuniversidades públicas, ou simplesmente não se achacapaz de entrar em uma, ou nem entende os meios55 de ingresso. Outra parte, infelizmente, dadas asgrandes lacunas na educação básica, teria grandesdificuldades com o Enem e demais vestibulares e58 acaba desistindo de ingressar em uma pública ouprivada de excelência e séria — ainda bem, aindaexistem — via sistemas de bolsa.61 O ensino superior precisa, sim, ser acessível eter seu acesso democratizado. Mas é covardia — etambém maldade e falta de ética — construir uma64 narrativa falaciosa, em nome da inclusão, cujo únicoobjetivo é o lucro pelo lucro. Não há nada de inclusivoem abandonar a responsabilidade com as67 consequências de formar mal quem mais precisa deuma educação de qualidade. A grande ironia é que afalsa inclusão é, na verdade, uma sofisticada forma de70 exclusão. Vinícius de Andrade. Indústria de diplomas e a falácia da inclusão. 12/6/2025. Internet: https://amp.dw.com (com adaptações). A respeito da pontuação empregada no trecho “dado que há discentes, já vi, que não sabem mandar um e-mail” (linhas 25 e 26) e suas implicações sintáticas, assinale a alternativa correta.