Leia o fragmento a seguir, extraído de um relatório apresentado à Assembleia Geral do Império em 1885:
"A experiência tem demonstrado que a emancipação gradual, sem indenização aos senhores e sem preparo dos libertos, lança no mercado de trabalho homens sem hábitos de liberdade e sem meios de subsistência, o que agrava a desordem social e desorganiza a lavoura. Cumpre, pois, conciliar o interesse público com o direito de propriedade, providenciando-se sobre a localização dos libertos e sobre a indenização devida aos senhores."
Esse trecho expressa uma posição característica do debate abolicionista no Segundo Reinado. A esse respeito, considere as afirmações abaixo:
- I. O texto revela a convergência entre o discurso abolicionista radical e o projeto de reforma agrária defendido pelos setores republicanos paulistas, que viam na indenização aos senhores um obstáculo à modernização da lavoura.
- II. O fragmento evidencia a apropriação, por parte de setores conservadores, de argumentos humanitários para justificar a tutela sobre os libertos e a manutenção da ordem social escravista, combinando emancipação gradual com indenização e controle da mão de obra.
- III. A proposta de "localização dos libertos" e de indenização aos senhores aproxima-se do modelo defendido pela Lei dos Sexagenários (1885), que, ao prever indenizações e cláusulas de prestação de serviços, buscava conciliar abolição e propriedade.
- IV. O texto expressa a posição do movimento abolicionista liderado por Joaquim Nabuco, que defendia a abolição imediata e sem indenização, rejeitando qualquer forma de tutela sobre os libertos.
Estão corretas apenas as afirmações: