1 É verdade que quase todo mundo tem suaspreferências, detesta algumas construções, prefere a pronúnciade alguma região etc. Mas o linguista precisa manter uma4 atitude científica, com atenção constante às realidades dalíngua e total respeito por elas. Se ele verifica que as pessoasdizem frases como “Se você ver ela, fala com ela pra me7 telefonar”, precisa reconhecer essa construção como legítimana língua. Por outro lado, em um texto escrito, eleprovavelmente encontraria outra frase, que igualmente precisa10 ser reconhecida. As duas coexistem, cada qual no seu contexto.O linguista, cientista da linguagem, observa a língua como elaé, não como algumas pessoas acham que ela deveria ser.13 Condenar uma construção ou uma palavra ocorrente comoincorreta é mais ou menos como decretar que é “errado” queaconteçam terremotos. Eles acontecem, e um cientista não tem16 remédio senão reconhecer os fatos. O objetivo dos linguistas édescrever e explicar, e não, prescrever formas certas e proibirformas erradas. Para nós, “certo” é aquilo que ocorre na língua.Mário A. Perini. Gramática do português brasileiro. São Paulo:Parábola Editorial, 2010, p. 20-1 (com adaptações).Julgue os itens subsequentes, relativos ao texto acima. Preservando-se o sentido original e a correção gramatical do texto, o trecho “e um cientista não tem remédio senão reconhecer os fatos” (l.15-16) poderia ser assim reescrito: um cientista, se não aceitar os fatos tal como são, não conseguiria explicá-los.