1 Uma das constantes aspirações dos homens é a deviver em uma sociedade de iguais. Mas é claro que asdesigualdades naturais são muito mais difíceis de vencer que as4 desigualdades sociais. Por essa razão, aqueles que resistem àsreivindicações de maior igualdade são levados a considerar queas desigualdades são, em sua maior parte, naturais e, como tais,7 invencíveis ou mais dificilmente superáveis. Ao contrário,aqueles que lutam por maior igualdade estão convencidos deque as desigualdades são, em sua maior parte, sociais ou10 históricas. Pense-se no príncipe dos escritores igualitários:Rousseau. No Discurso sobre a Origem da Desigualdade entreos Homens, ele sustenta que a natureza fez os homens iguais e13 a civilização os tornou desiguais ou, em outras palavras, que asdesigualdades entre os homens têm uma origem social e, porisso, o homem, voltando à natureza, pode retornar à igualdade.16 Experimente-se agora considerar o príncipe dos escritores nãoigualitários: Nietzsche. Para o autor de Além do Bem e do Mal,os homens são, por natureza, desiguais e apenas a sociedade,19 com sua moral de rebanho, com sua religião baseada nacompaixão, é que fez que eles se tornassem iguais. OndeRousseau vê desigualdades artificiais e, portanto, condenáveis22 e superáveis, Nietzsche vê desigualdades naturais e, portanto,não condenáveis nem superáveis. Ao passo que em nome daigualdade natural o igualitário condena as desigualdades25 sociais, em nome da desigualdade natural o não igualitáriocondena a igualdade social.A diferença entre desigualdade natural e desigualdade28 social é relevante para o problema do preconceito pela seguinterazão: com frequência, o preconceito nasce da superposição àdesigualdade natural de uma desigualdade social que não é31 reconhecida como tal, sem, portanto, que se reconheça que adesigualdade natural foi agravada pela superposição de umadesigualdade criada pela sociedade e que, ao não ser34 reconhecida como tal, é considerada ineliminável.Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. São Paulo: Ed. UNESP, 2002, p. 112-3 (com adaptações).Julgue os itens subsequentes, relativos às ideias e à estrutura linguística do texto acima. Ao citar Rousseau e Nietzsche, o autor emprega, no desenvolvimento do primeiro parágrafo, um recurso próprio do texto dissertativo-argumentativo, que consiste em fundamentar sua ideia por meio de analogia.