Para responder às questões de números 1 a 10, leia o texto a seguir.A volta da letra bonita1____Nossas histórias têm caligrafia própria. Aforma da letra nos identifica, por isso atreinamos, buscando uma imagem ideal,como quando fazemos caras e bocas no espelho.5Quer escrevamos em garranchos de médico, emestudada letra de professor, em sofridos traços dequem teve pouca escola ou em estilosas maiúsculasde arquiteto, há uma razão de ser na estética,tamanho e cadência do que colocamos no papel.10Não é à toa que existem grafólogos, que sabem ler alinguagem do traço. A assinatura, com a qualemprestamos valor e seriedade a tanta coisa, nossintetiza.____Aos nove anos, passei a usar o sobrenome do15meu padrasto. Era algo que desejava, portantopreparei-me com pompa para a nova assinatura.Sem determinação consciente, mudei de letra enunca mais escrevi em cursiva. Imitei o traçado doscadernos artísticos de uma colega que admirava -20aliás, ela virou arquiteta. Sempre quis que meuscaóticos e borrados cadernos escolares parecessemalgo melhor, mas na ocasião o que importava erasua escrita em maiúsculas.____Em inglês, chamam-nas de "letras capitais",25como as cidades mais importantes, como a penaque ceifa uma vida, como um valor investido.Maiúsculo, dizemos nós, nome superlativo, comoesperava do que dali em diante se tornaria o meu.Se hoje tento escrever em cursiva, volta-me a letra30de criança de nove anos, retrato congelado daquelacuja vida abriu um novo parágrafo. Acho que,também sem querer, escolhi que as letras nãofossem coladas. Era uma identidade nova, peçassoltas que passarei a vida tentando juntar.35____O escritor Fabrício Carpinejar também temuma história de filiação através da letra. Ele era,como eu, um desastre de aluno. Quando informadopela mãe de que no dia seguinte teria de assinar suaprimeira carteira de identidade, ficou apavorado.40Com urgência, treinou fazendo calcos dos autógra-fos do seu já famoso pai. Sua primeira assinatura foium plágio, uma apropriação, prenúncio da herançaartística dos dois pais poetas, que mais adiantereivindicaria para si. "A letra do meu pai me deu45colo", ele definiu. No meu caso, foram as maiúsculasque deram colo para meu novo pai.____Quando os teclados tomaram conta daescrita, os presságios para o futuro da capacidadede escrever à mão foram terríveis. Como tantos50apocalipses, este não se confirmou. Entre os maisjovens, virou mania a arte do lettering. Uma caligra-fia esmerada, que compõe diários-agendas, nosquais compromissos, confissões e ideias espalham-se graciosamente por páginas que não vexariam um55monge escriba. Nas tatuagens que contêm palavrascom que nos revestimos para sempre, as formas, ostipos de letras usados fazem toda a diferença.____Chegamos até aqui como civilização escre-vendo: documentando contabilidades, leis, memó-60rias e ficções. Não posso afirmar que isso nos tornouboa gente, mas, se temos algum potencial para sermelhores, acredito que o cuidado com a escritapode ajudar. A letra manuscrita é um ato de amor àspalavras, e nesse caso as aparências não enganam.65Vê-la _________ com tanta graça me enche deotimismo de que as coisas se transformam, mas oessencial talvez não se perca.Fonte: CORSO, Diana. A volta da letra bonita. Jornal Zero Hora, Porto Alegre, ano 56, 18 fev. 2019. Colunistas, p.31. Com relação à concordância verbal, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) em cada afirmativa.( ) Em Nossas histórias têm caligrafia própria (ℓ.1), a forma verbal passaria para o singular, caso o segmento sublinhado fosse reescrito como Nossas narrativas de vida. ( ) Em Quando os teclados tomaram conta da escrita (ℓ.47-48), a forma verbal passaria para o singular, caso o segmento sublinhado fosse reescrito como o uso dos teclados. ( ) Em diários-agenda, nos quais compromissos, confissões e ideias espalham-se graciosamente por páginas (ℓ.52-54), a forma verbal passaria para o singular, caso o segmento sublinhado fosse reescrito como em que. A sequência correta é