No âmbito da reflexão ética, a distinção entre ética e moral é frequentemente apresentada pela filosofia. Considere o seguinte cenário: em uma repartição pública, um servidor recém-empossado observa que seus colegas, por hábito, aceitam pequenos presentes de fornecedores, prática culturalmente tolerada no órgão, embora não prevista em norma. Ao refletir criticamente sobre essa conduta, o servidor conclui que, ainda que a prática seja habitual e socialmente aceita no ambiente, ela não se sustenta como critério de ação correta, pois a validade de uma norma não decorre de sua efetividade ou aceitação social, mas da possibilidade de ser universalizada sem contradição. Nesse contexto, é correto afirmar que a atitude do servidor expressa uma perspectiva ética de fundamentação kantiana, na qual a moralidade de uma ação é avaliada pela intenção e pelo dever, e não pelas consequências ou pela tradição.
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