Questão 21
1 Eu não gosto de ninguém, ele quase respondeu,refreando-se a tempo; faz sentido, ele mesmo concluía — é opior momento da minha vida, sem a mulher, sem o filho, sem4 dinheiro, e desgraçadamente sem literatura. Uma letra de tango.Ou “um maneirista da própria sombra”, como escreveu Eusébiode Mattos no Suplemento de Arte, demolindo-o até a última7 linha com o sadismo certeiro dos grandes críticos. Para um paíssem crítica, aquele texto chegava a ser uma boa surpresa, aindaque deixasse entrever mais o prazer do ataque que o lamento10 sincero de um estudioso honesto, o tsc tsc tsc diante de umescritor que nunca “chegou lá” na corrida de cavalos letradosdo panorama nacional — e Donetti sentiu a respiração opressa13 pelo rancor. O célebre homem brasileiro cordial é cordial nãoporque seja polido, o que ele nunca foi, mas porque nada nuncapassa pelo cérebro antes de chegar à vida — é só um coração16 batendo forte no meio da rua, que é o seu lugar. Cristovão Tezza. Um erro emocional. Riode Janeiro: Record, 2010, p. 91 (com adaptações). Em relação às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue os itens a seguir. No trecho “mais o prazer do ataque que o lamento sincero de um estudioso honesto” (l.9-10), a substituição da conjunção “que” por do que manteria a correção gramatical da relação comparativa.
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