No âmbito da farmacologia clínica, as interações medicamentosas de natureza farmacocinética podem alterar significativamente a resposta terapêutica. Nesse contexto, considere a seguinte situação hipotética: um paciente em uso crônico de varfarina, anticoagulante com estreita margem terapêutica, necessita iniciar tratamento com fluconazol para uma infecção fúngica. Sabe-se que o fluconazol é um potente inibidor das enzimas CYP2C9 e CYP3A4, enquanto a varfarina é metabolizada principalmente por essas mesmas vias enzimáticas. Diante disso, é correto afirmar que a associação entre fluconazol e varfarina tende a reduzir a depuração metabólica da varfarina, elevando sua concentração plasmática e aumentando o risco de eventos hemorrágicos, o que demanda monitoramento rigoroso do tempo de protrombina (ou RNI) e, frequentemente, ajuste posológico do anticoagulante.
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