Questão 23
Texto para os itens de 1 a 11 1Marilena Chaui, filósofa brasileira, afirma que, paraa classe dominante brasileira (os “liberais”), democracia é oregime da lei e da ordem. Para a filósofa, no entanto, a4 democracia é “o único regime político no qual os conflitos sãoconsiderados o princípio mesmo de seu funcionamento”:impedir a expressão dos conflitos sociais seria destruir a7 democracia. O filósofo francês Jacques Rancière critica a ideiade democracia que tem estruturado nossa vida social — regidapor uma ordem policial, segundo ele —, devido ao fato de ela10 se distanciar do que seria sua razão de ser: a instituição dapolítica. Estamos acomodados por acreditar que a política éisso que está aí: variadas formas de acordo social a partir das13 disputas entre interesses, resolvidas por um conjunto de açõese normas institucionais. Essa ideia empobrecida do que seja apolítica está, para o autor, mais próxima da ideia de polícia, já16 que diz respeito ao controle e à vigilância dos comportamentoshumanos e à sua distribuição nas diferentes porções doterritório, cumprindo funções consideradas mais ou menos19 adequadas à ordem vigente. Estamos geralmente tãohipnotizados pela “necessidade de um compromisso para sealcançar o bem comum” e pela opinião de que “as instituições22 sociais já estão fazendo todo o possível para isso”, que nãoconseguimos perceber nossa contribuição na legitimação dessapolítica policial que administra alguns corpos e torna invisíveis25 outros.O conceito de política trabalhado pelo autor traz comoprincípio a igualdade. Uma igualdade que não está lá como28 sonho a ser alcançado um dia, mas que é uma potencialidadeque “só ganha realidade se é atualizada no aqui e agora”. Eessa atualização se dá por ações que irão construir a31 possibilidade de os “não contados” serem levados em conta,serem considerados nesse princípio básico e radical deigualdade. Para além dos movimentos sociais, existem os34 ainda-sem-nome e ainda-sem-movimento. Diz o autor que apolítica é a reivindicação da parte daqueles que não têm parte;política se faz reivindicando “o que não é nosso” pelo sistema37 de direitos dominantes, criando, assim, um campo decontestação. Em uma sociedade em que os que não têm partesão a maior parte, é preciso fazer política. Marco Antonio Sampaio Malagodi. Geografias do dissenso: sobre conflitos, justiça ambiental e cartografia social no Brasil. In: Espaço e economia: Revista Brasileira de Geografia Econômica. jan./2012. Internet: <http://espacoeconomia.revues.org/136> (com adaptações). Com base nas ideias do texto, julgue os itens de 1 a 4. Os integrantes da sociedade que não são “levados em conta” (l.31) devem ser representados pelos movimentos sociais existentes para que tenham suas necessidades atendidas e, de fato, sejam tratados com igualdade, segundo o filósofo francês.
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