Questão 13
1 Entre os muitos méritos dos nossos livros, nem semprefigura o da pureza da linguagem. Não é raro ver intercaladosem bom estilo os solecismos da linguagem comum, defeito4 grave, a que se junta o da excessiva influência da línguafrancesa. Esse ponto é objeto de divergência entre os nossosescritores. Divergência, digo, porque, se alguns caem naqueles7 defeitos por ignorância ou preguiça, outros há que os adotampor princípio, ou antes, por uma exageração de princípio.Não há dúvida que as línguas aumentam e se alteram10 com o tempo e as necessidades dos usos e costumes. Quererque a nossa pare no século de quinhentos é um erro igual ao deafirmar que a sua transplantação para a América não lhe inseriu13 riquezas novas. A este respeito, a influência do povo édecisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, locuções novas,que de força entram no domínio do estilo e ganham direito de16 cidade.Mas, se isto é um fato incontestável, e se é verdadeiroo princípio que dele se deduz, não me parece aceitável a19 opinião que admite todas as alterações da linguagem, aindaaquelas que destoem das leis da sintaxe e da essencial purezado idioma. A influência popular tem um limite; e o escritor não22 está obrigado a receber e dar curso a tudo o que o abuso, ocapricho e a moda inventam e fazem correr. Pelo contrário, eleexerce também uma grande parte de influência a este respeito,25 depurando a linguagem do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.Machado de Assis. O jornal e o livro. SãoPaulo: Companhia das Letras, 2011, p.25-6.Com relação às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue os itens de 71 a 78. Depreende-se da leitura do texto que “solecismos” (R.3) são transgressões às prescrições gramaticais da norma padrão de uma língua.
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