Emprego do sinal indicativo de craseVunespProva: PM-SP 2024 · aluno oficial pm 2
Leia a crônica “Liberdade”, de Clarice Lispector, Houve um diálogo difícil. Aparentemente não quer dizer muito, mas diz demais. — Mamãe, tire esse cabelo da testa. — É um pouco da franja ainda. — Mas você fica feia assim. — Tenho o direito de ser feia. — Não tem! — Tenho! — Eu disse que não tem! E assim foi que se formou o clima de briga. O motivo não era fútil, era sério: uma pessoa, meu filho no caso, estava-me cortando a liberdade. E eu não suportei, nem vindo de filho. Senti vontade de cortar uma franja bem espessa, bem cobrindo a testa toda. Tive vontade de ir para meu quarto, de trancar a porta a chave, e de ser eu mesma, por mais feia que fosse. Não, não “por mais feia que fosse”: eu queria ser feia, isso representava o meu direito total à liberdade. Ao mesmo tempo eu sabia que meu filho tinha os direitos dele: o de não ter uma mãe feia, por exemplo. Era o choque de duas pessoas reivindicando — o que, afinal? Só Deus sabe, e fiquemos por aqui mesmo. (Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999.) “Tive vontade de ir para meu quarto, de trancar a porta a chave” (9º parágrafo) O emprego de crase na expressão sublinhada é facultativo, assim como em:
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